Biomassa vira alternativa para o governo apenas nos períodos de crise energética

Através da queima do bagaço da cana em caldeiras, as 430 usinas de açúcar e etanol geram eletricidade para abastecer suas próprias atividades.

Brasileiro sempre deixa tudo para última hora. E com o governo não é diferente. Os investimentos costumam ser liberados em períodos críticos e não em projetos de prevenção, por isso os gastos são bem mais expressivos e, quase sempre, apertam o bolso dos contribuintes. Exemplo típico foi o que aconteceu nos últimos dois anos do governo Fernando Henrique Cardoso, entre 2001 e 2002, quando o País enfrentou um “apagão” de energia elétrica, inclusive com racionamento.

Com a escassez de chuva na época, a falta de diversificação da matriz energética, que depende mais de 70% de hidrelétricas, representou um prejuízo de R$ 45,2 bilhões, segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU). Foi no auge da crise que decidiram investir com mais eficiência em termelétricas movidas a biomassa, através da cogeração de energia, tecnologia já dominada pelas usinas de cana-de-açúcar.

A geração de eletricidade por meio da queima do bagaço de cana-de-açúcar foi apontada como uma das soluções para afastar o risco de um novo apagão. O governo lançou, no ano 2000, o Programa Prioritário de Termelétricas, considerado, na época, o mais ambicioso projeto de geração de energia desde a construção da usina de Itaipu, na década de 70.

A ideia era construir 49 usinas térmicas em 19 Estados do País. Em Pernambuco, a Usina Petribu, que até então gerava energia para consumo próprio, foi uma das que aderiu ao programa. A termelétrica Itaenga, localizada em Lagoa de Itaenga, na Zona da Mata, foi inaugurada em 2002, com capacidade de exportar 22 MWh de energia para a rede elétrica.

Toda usina ou destilaria produz energia para consumo próprio com a queima do bagaço da cana. Algumas não consomem toda a energia produzida e, nesse caso, o excedente é vendido para as distribuidoras ou para o Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a capacidade de produção no País é de, aproximadamente, 105,9 mil MW. Desse total, as hidrelétricas fornecem 75,2 mil MW (71%) e as termelétricas, 25 mil MW (23,6%).

A bioeletricidade mudou até o nome de um mercado há muito já consolidado. Com a possibilidade real de exportar energia elétrica gerada a partir do bagaço da cana, o setor passou de sucroalcooleiro para sucroenergético. Hoje, a produção da bioeletricidade é uma das atividades mais significativas da indústria sucroenergética e que agrega maior potencial de crescimento do setor.

Através da queima do bagaço da cana em caldeiras, as 430 usinas de açúcar e etanol geram eletricidade para abastecer suas próprias atividades, sendo auto-suficientes em energia. Dessas, 120 geram excedentes comercializáveis. Em 2010, foram mais de 1000 MW médios produzidos a partir desses resíduos. Na matriz energética, esse valor representa entre 2% e 3%. A expectativa é de que, em 2020, essa participação chegue a 18%.

“No ano do apagão, com o incentivo do governo federal, várias usinas investiram em térmicas. Até então, elas só geravam para si. Até queriam vender, mas não havia espaço na rede. Depois, com a necessidade, o sistema elétrico passou a olhar para a energia gerada a partir da biomassa”, afirma o presidente do Sindaçúcar de Pernambuco, Renato Cunha. Segundo Luiz Otávio Koblitz, empresário do setor de fontes renováveis de energia desde 1975, o potencial de produção de energia elétrica para o SIN, com o bagaço, é de 77,4 KWh/TC, ou seja, 5.300 MW médios de energia.

No período de maio a setembro de 2011, época da safra da cana na Região Centro-Sul, a bioletricidade representou 31% de toda geração termelétrica do Brasil, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, ligada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os meses coincidem com a época mais crítica para o sistema elétrico nacional, devido à falta de chuva.

Depois da bioeletricidade, o tipo de termelétrica mais utilizada no Brasil foi a fonte nuclear, com 26%. Em seguida aparecem o gás natural, com 25%, carvão mineral e óleo combustível, com 5% cada.

A principal diferença da biomassa com relação aos combustíveis utilizados por outras termelétricas é que essa é considerada uma fonte de energia renovável. No caso de resíduos como o bagaço da cana-de-açúcar, todo o dióxido de carbono (CO2) gerado pela queima durante o processo de cogeração de energia é capturado pela cana durante o seu período de maturação. Segundo estudo da União Europeia (UE), para cada MW/h gerado por meio do gás natural, são lançados até 440 quilos de CO2 na atmosfera.

Atualmente, com as barragens sangrando e as hidrelétricas produzindo energia a todo vapor, a energia oriunda da biomassa não está com preços atrativos. “No Apagão, as usinas viraram alternativas, depois foram descartadas, como aconteceu com o Proálcool (Programa Nacional do Álcool) na crise de 79.

As usinas operam, hoje, no Brasil, com uma capacidade ociosa de 18 a 20%. “Se houvesse mais recursos e incentivos, poderíamos operar com a capacidade máxima”, lamenta Renato Cunha. Em Pernambuco, apenas doze das 20 usinas vendem energia excedente.

Informação de: UDOP

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