Emissão de gases do efeito estufa versus reservatórios de hidrelétricas

Apesar de o fenômeno ainda ser um tabu no meio acadêmico, o governo brasileiro decidiu investigar o assunto a fundo.

Embora questionável, o estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado em dezembro passado que colocou o Brasil como o sexto maior emissor mundial de gases do efeito estufa (GEE) pôs o país na berlinda. Além das críticas ao desmatamento – que não foi considerado na pesquisa da ONU –, o estudo trouxe de novo à tona a polêmica discussão sobre a emissão de GEE pelos reservatórios de hidrelétricas.

Apesar de o fenômeno ainda ser um tabu no meio acadêmico – não há consenso entre os pesquisadores –, o governo brasileiro decidiu investigar o assunto a fundo. Com recursos do MME e de estatais elétricas, entre elas Furnas, Chesf e Eletronorte, a Coppe/UFRJ iniciou um estudo para calcular a real contribuição dos reservatórios para o aquecimento global. Sua conclusão está prevista para meados de 2013.

Há cerca de 20 anos, pesquisadores da própria Coppe detectaram que os reservatórios emitiam GEE, num processo relacionado à decomposição biogênica da matéria orgânica. Entretanto, de acordo com os estudos, as emissões são muito inferiores às das térmicas que operam com combustíveis fósseis.

Recentemente, porém, a ONG International Rivers divulgou um vídeo na internet – The Wrong Climate from Damming Rivers – no qual afirma que os reservatórios hídricos da Região Amazônica, como o da UHE Tucuruí, no Pará, emitem duas vezes mais gases de efeito estufa que as térmicas a carvão. A fonte da estatística, contudo, não é citada.

Emissões brutas

Para dirimir essas questões, o novo estudo pretende desenvolver uma metodologia capaz de separar as emissões brutas das líquidas. A ideia é distinguir com precisão que parcela das emissões se deve ao reservatório formado e quanto está sendo emitido por sedimentos trazidos pelo rio até a barragem da usina.

As emissões brutas seriam o volume total de gases emitidos pelo reservatório. Uma parte disso, porém, corresponde a detritos provenientes de regiões a montante da usina. Um exemplo são dejetos da pecuária, que já estão contabilizados nos inventários de GEE pelo número de cabeças de gado existentes no país.

“Estamos debruçados nessa área. Não existe uma série histórica muito longa sobre isso. Temos algumas estimativas, mas vamos comprovar os dados através do método científico”, explica o professor Marco Aurélio dos Santos, do Programa de Planejamento Energético (PPE) da Coppe.

O trabalho vai avaliar a qualidade da água para descobrir a origem das matérias orgânicas e verificar a presença de carbono, fosfato, nitrogênio, nitratos e nitritos, que são os principais nutrientes relacionados à produção dos gases de efeito estufa.

Detalhamento das ações

Para fazer as medições, os pesquisadores utilizam uma pequena câmara, que boia na superfície do lago e tem uma abertura para recolher os gases diluídos na água. Esse material é depois transferido para uma ampola de vidro, sem contato com o ambiente. Em seguida é transferido para um laboratório, onde é feita a medição por meio de um cromatógrafo.

A Coppe também dispõe de uma câmara maior, de 7 litros, que coleta os gases já emitidos para a atmosfera e os analisa por meio de um sensor. Outra técnica é a captura dos gases contidos nas bolhas que chegam à superfície da água. Para isso, são instalados funis com boca mergulhada na água e uma garrafa plástica acoplada ao bico. O fluxo natural faz com que as bolhas entrem pelo funil. Os gases chegam até o fundo da garrafa, onde ficam aprisionados até serem transferidos para a ampola de vidro.

O trabalho está sendo feito em dez reservatórios: Santo Antônio (RO), Balbina (AM), Tucuruí (PA), Serra da Mesa (GO), Xingó (SE/AL), Funil (RJ), Itaipu (PR), Três Marias (MG), Belo Monte (PA) e Batalha (GO/MG). Os dois últimos reservatórios ainda estão em formação, o que permitirá aos pesquisadores calcular as emissões antes e depois da construção das usinas.

A Coppe ainda participa de estudos conjuntos com a canadense Hydro-Québec com a mesma finalidade. Assim como no Brasil, a hidreletricidade é a principal fonte de energia elétrica do Canadá. Além disso, o instituto integra grupos de estudos sobre o tema na Agência Internacional de Energia e na Associação Internacional de Hidroeletricidade.

Informação de: Brasil Energia 

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