Não existe uma política adequada para o gás natural brasileiro

A falta de uma adequada política para o gás e, de uma maneira geral, para a energia como um todo evidencia-se sobremodo com a declaração recente do Presidente da Petrobras de que não há como garantir o fornecimento de gás até 2016 a não ser para os contratos já firmados.

O gás, em quantidade expressiva, acompanha a exploração de petróleo e, em razão deste “azar”, ele é visto como um “atrapalho” para o mercado de petróleo e de seus derivados. Com isto, o país desperdiça quantidades significativas de gás sem utilização e, quando usa, o faz com importante ineficiência.

Não há uma posição adequada para o emprego eficiente do gás natural na matriz energética brasileira; de fato, sua utilização tem se dirigido para termelétricas que só são despachadas, por ordem da ONS, quando há indícios ou ausência comprovada de chuvas e de redução do armazenamento de água nas diversas barragens brasileiras, dificultando os respectivos despachos. Como os períodos de estiagem podem rarear e o armazenamento do gás inviabiliza-se, fato que resulta em sua queima sem uso, num lamentável desperdício, evidencia-se uma clara ausência de planejamento estratégico para as suas diversas fontes primárias. Para ciência, o país queima, sem uso, mais de 4 milhões de m3 diários de gás.

Será que este desperdício se perpetuará? Considerando que, com a continuação da exploração do petróleo, visando, de um lado, a manutenção da auto-suficiência de seu suprimento e, de outro, a exploração do pré-sal, também produtor conjunto de petróleo e de gás, sem preparar o mercado adequado para o gás, qual será o seu futuro ? Manter-se-á o risco de sua queima sem uso, aumentando este lamentável desperdício? O Brasil repetirá o que já aconteceu com a chegada do gás boliviano, no passado recente? Não se pode esquecer que, até 2016, se estima uma produção de 50 Mm3/dia de gás.

A falta de uma adequada política para o gás e, de uma maneira geral, para a energia como um todo evidencia-se sobremodo com a declaração recente do Presidente da PETROBRAS de que “não há como garantir o fornecimento de gás até 2016 a não ser para os contratos já firmados”. Com efeito, como a quantidade de gás, a ser extraído no pré-sal, embora de grande volume, ainda se acha indeterminada, da mesma forma que o seu preço futuro, entendeu a PETROBRAS que não tem como garantir este combustível para suprir as eventuais novas termelétricas a gás a serem ofertadas via os próximos leilões do Setor Elétrico, gerando, concomitantemente, um descompasso no restante do mercado consumidor de gás, criando, para o Setor Elétrico, espaços para a queima de outros combustíveis fósseis muito mais poluentes e gerando um temor injustificável principalmente para os usuários industriais e comerciais pois, para estes, não há qualquer indício de ausência de gás no futuro próximo.

Considerando o contexto, ainda em formação, do mercado de gás externo ao Setor Elétrico, aonde se situam os empregos mais eficientes de seu consumo, a cogeração e os seus usos em processos industriais, urge melhor definir o significado desta afirmativa pois, como supra-mencionado, não há qualquer indício de ausência de gás no futuro próximo; ao contrário, o Brasil deverá caminhar para subir 19 posições no “ranking” de produção de petróleo, de tornar-se o maior produtor de gás na América Latina e, também, tornar-se importante exportador deste combustível na medida em que poderá ter a sua oferta superando o consumo doméstico.

Informação de: Gás Brasil

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