Empresas brasileiras estão migrando para países vizinhos

O Brasil, segundo levantamento feito por entidades ligadas ao setor industrial, como a Conferação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), associações de classe e sindicatos, vem passando por um processo grave de desindustrialização. Um dos fatores que estavam provocando esse processo era o crescimento econômico acelerado da China. Porém, um novo movimento na indústria brasileira está contribuindo para aumentar a desindustrialização: o alto preço da energia elétrica.

Segundo a Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), grandes empresas brasileiras estão seguindo, principalmente, para o Paraguai e o Uruguai para instalar novas plantas se beneficiando de tarifas mais baratas nesses países.

“O foco no país vizinho (Paraguai) se dá porque a energia elétrica gerada por Itaipu é mais barata. O segmento de alumínio, por exemplo, já tem a Rio Tinto Alcan (que migrou). Sabemos também de uma outra de celulose que está seguindo para o Uruguai”, diz o assessor da diretoria da Abrace, Fernando Umbria.

Para a Câmara de Comércio Brasil – Paraguai, existe uma lista de empresas brasileiras que devem seguir para o país vizinho em 2012. “Nos últimos oito anos, uma série de fatores contribuiu para que as indústrias seguissem para lá, principalmente aquelas que têm a energia elétrica como matéria prima”, comenta o presidente da Câmara, Eulógio Kñonez.

O crescente movimento já contribuiu para alavancar o Produto Interno Bruto (PIB) paraguaio, que cresceu 15% no ano passado. “A meta do governo é a de atingir os 10% em 2012”, aponta Kñonez. “O país já ocupa o terceiro lugar entre os maiores produtores de soja do Mercosul e o quinto no setor agropenegócios. Queremos crescer, fortalecer o Mercosul e afastar as indústrias do avanço da China”, completa.

Pelo Tratado de Itaipu, firmado em 1973, cada um dos dois países tem direito a usar 50% da energia gerada pela hidrelétrica – a maior do mundo em geração. Como o Paraguai utiliza apenas 5% da energia gerada, o restante é vendido ao Brasil. Itaipu, com potência de 14 mil MW, responde por 19% da energia consumida no País e a 91% do consumo paraguaio.

Segundo Fernando Umbria, da Abrace, na lista de avaliação sobre a possibilidade de seguir para o Paraguai está a Novelis, uma das principais companhias mundiais de produtos transformados de alumínio. Recentemente, a companhia encerrou as atividades na Bahia justamente por conta do preço elevado da energia. O valor pago ficou superior ao custo da produção.

A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), também estuda a saída do Brasil para Trinidad Tobango. “Para se ter noção de que a desindustrialização está ocorrendo, em 2009 o Brasil importou 17 mil toneladas de alumínio . Em 2010, esse número chegou a 77 mil e para esse ano, o volume deverá ser ainda maior. Outro dado é que nos últimos 25 anos, não se instala no Brasil nenhuma indústria desse segmento”, lista Umbria.

Recentemente, foi aprovada a revisão do Tratado de Itaipu que determinou aumento da taxa anual de cessão paga pelo Brasil ao Paraguai – o salto foi de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões.”Acompanhamos essa revisão com muita preocupação. E o que estamos acompanhando é que o governo não deu muita consideração ao tema. Outras indústrias que consomem muita energia, com toda certeza, devem seguir o mesmo caminho (rumo ao país vizinho)”, finaliza Umbria.

Informação de: Portal PCH

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