Concorrência obriga setor elétrico a investir mais em pesquisa e desenvolvimento

A Aneel vai concluir no início de 2012 um levantamento sobre a aplicabilidade dos projetos de P&D realizados pelas empresas elétricas. Apesar de ainda não ter um número fechado, a agência acredita que o índice de efetividade é maior do que o observado entre 1999 e 2007, quando apenas 13% dos projetos desenvolvidos chegaram à fase de produção industrial. Resultado da mudança na regulamentação do programa, em meados de 2008.

Com a concorrência cada vez mais acirrada nos leilões de geração e transmissão as empresas do setor elétrico, de forma geral, aumentaram o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D). A Alstom, por exemplo, está aprimorando seus últimos dois modelos de turbinas a gás natural – GT 24 e GT 26 –, numa clara aposta no crescimento da participação da fonte na matriz elétrica mundial, inclusive no Brasil.

No setor eólico, a forte competição está exigindo que fabricantes revejam os conceitos tradicionalmente usados e adotem novos arranjos para produzir mais energia pelo menor custo possível.

Outro setor que tem atraído muitos recursos em inovação é o de energia solar. Até o fim de outubro, as empresas interessadas entregarão à Aneel propostas para o programa de P&D estratégico Arranjos Técnicos e Comerciais para a Inserção da Geração Solar Fotovoltaica na Matriz Energética Brasileira.

“A proporção de projetos cujos resultados se mostraram na prática é muito maior do que foi no passado”, reforça o superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da Aneel, Máximo Pompermayer. “Antes não havia quase nada em uso além da produção científica. E o consumidor quer ver esses recursos aplicados no dia a dia, revertendo-se em benefício para ele, seja na qualidade do serviço, seja no custo.”

Foi justamente isso que motivou a resolução 316, de maio de 2008, que instituiu a nova regulamentação para os programas de P&D das concessionárias. Na prática, a medida buscou eliminar a burocracia, agilizar o andamento dos projetos e melhorar os resultados alcançados.

Entre outros aspectos da mudança, Pompermayer ressalta ainda que o porte dos projetos mudou. “Hoje temos vários projetos de R$ 5 milhões, R$ 10 milhões e até R$ 20 milhões, que não existiam ou eram muito raros”, destaca o superintendente. Por isso, Pompermayer crê que, por serem projetos mais robustos, têm potencial maior de inserção no mercado.

É possível notar na geração hidrelétrica inovações que tornaram usinas recém-construídas mais eficientes. Na hidrelétrica de Foz do Chapecó (RS/SC), de 855 MW, por exemplo, foi utilizada uma técnica inédita de aplicação de núcleo de asfalto na estruturação da barragem, de 48 m de altura e 598 m de extensão. A medida reduziu o tempo de construção da barragem de um ano para apenas cinco meses e ainda trouxe ganhos econômicos. A redução do tempo diminuiu os gastos com uso de equipamentos e contratação de mão de obra.

Já na área termelétrica, a Cemig instalou um sistema especializado para cálculo de eficiência (SECE) na térmica do Barreiro (MG), de 12,9 MW. A ferramenta permite a operação econômica da usina, com menor consumo de combustível. A planta opera a gás de alto-forno, gás natural e alcatrão. Com investimentos de R$ 364,6 mil, o programa foi fruto de um projeto de P&D do programa da Aneel.

Há novidades ainda no setor de transmissão. A Empresa Paraense de Transmissão de Energia (ETEP) também aproveitou um projeto de P&D para criar um mecanismo que facilita a fiscalização de estais e otimização de envio de equipes para a inspeção no local. Desenvolvida em parceria com a USP, a tecnologia demandou investimentos de R$ 360 mil.

O novo sistema, baseado em laser, mede a distância entre os mastros da linha para aferir qualquer anomalia no tensionamento dos cabos. O equipamento permite ainda o envio de dados a distância, o que facilita o despacho de equipes de manutenção e reduz custos operacionais.

A comunicação entre as equipes de manutenção também é o foco de um programa computacional criado por Furnas. A companhia investiu R$ 934 mil no desenvolvimento de um sistema de comunicação de banda larga sem fio para transmissão de voz, dados e vídeo específico para os técnicos que atuam na fiscalização da operação das linhas.

Apesar dessa evolução, o setor de transmissão brasileiro responde por um registro de patentes relativamente baixo. De acordo com dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), entre 2000 e 2008 o segmento originou apenas 13 patentes. Coincidentemente ou não, nos últimos anos o sistema de transmissão brasileiro apresentou falhas que ocasionaram grandes desligamentos.

Informação de: Ilumina 

 

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