Estados Unidos anunciam US$ 105 milhões para primeira usina de etanol celulósico do país

FONTE: INOVAÇÃO UNICAMP

Garantia de financiamento à Poet LLC viabiliza planta que vai operar em 2013; batizado de Liberty, projeto converterá biomassa em etanol com enzimas da dinamarquesa Novozymes

FOTO: Divulgação/Poet LLC

A primeira usina de etanol celulósico em escala comercial do país deve iniciar operações em 2013 e produzir 95 milhões de litros de combustível por ano. O anúncio da garantia de empréstimo para a Poet LLC, a maior produtora de etanol do mundo, foi feito no dia 7 de julho pelo secretário Steven Chu.

A empresa norte-americana estima que o projeto da planta na cidade de Emmetsburg, no Estado de Iowa, deva gerar cerca de 200 empregos na etapa de construção e outras 40 vagas permanentes na usina. O custo total do projeto é de cerca de US$ 250 milhões (R$ 393 milhões).

O processo de produção do etanol de segunda geração utilizará cascas, folhas e espigas de milho como matéria-prima, fornecidas por propriedades agrícolas da região. O futuro crescimento da produção desse tipo de álcool — considerado combustível avançado pelo governo dos EUA — permitirá a diminuição do uso de grãos comestíveis para a fabricação de biocombustíveis. A meta da empresa é reproduzir posteriormente o novo sistema de fabricação de etanol celulósico em todas as suas 27 usinas, segundo comunicado divulgado à imprensa pela Poet.

Segundo o presidente do conselho de administração da Poet, Jeff Broin, há mais de um milhão de toneladas de biomassa disponíveis anualmente nos EUA para a produção de etanol de segunda geração, o que seria suficiente para substituir a importação de petróleo. Antes mesmo do anúncio dos recursos, ainda em2010, aPoet começou a preparar uma área de 90 mil metros quadrados para armazenagem dos fardos de biomassa. De acordo com a empresa, no ano passado 85 fazendeiros das imediações de Emmetsburg entregaram para a Poet 56 mil toneladas de biomassa. Quando a nova usina entrar em operação, a matéria-prima disponível deverá chegar a 300 mil toneladas anuais, segundo o cronograma da Poet.

Hidrólise enzimática

Batizado de projeto Liberty, a construção da usina de produção de etanol celulósico da Poet será baseada no processo de hidrólise enzimática para converter biomassa em etanol com enzimas da empresa dinamarquesa Novozymes. Além disso, a planta industrial deverá produzir biogás, em biodigestores alimentados pelos resíduos da produção do etanol, em quantidades suficientes para suprir a demanda energética da nova unidade e da refinaria adjacente de produção de etanol convencional a partir dos grãos de milho, informa a companhia. A companhia afirma ter gasto mais de US$ 40 milhões na última década para viabilizar a produção comercial do etanol celulósico, o que inclui a pesquisa em laboratório e a operação de uma planta-piloto na cidade de Scotland (Dakota do Sul). “Parcerias com universidades, governo e indústria também exerceram um papel fundamental ao tornar o processo ao mesmo tempo renovável e lucrativo”, explicou a Poet.

Menor dependência de petróleo

Ao fazer o anúncio do compromisso de empréstimo, o secretário Steven Chu ressaltou que os investimentos do governo Barack Obama na nova geração de biocombustíveis estão sendo “bem-sucedidos”. “Esse projeto ajudará a diminuir nossa dependência de petróleo, a criar empregos e a auxiliar nossa transição para uma energia limpa e renovável, que é produzida no nosso próprio país”, afirmou Chu. “As inovações utilizadas nesse projeto são outro exemplo de como nós estamos aproveitando a oportunidade para criar novas oportunidades econômicas de maneira a conquistar um futuro de energia limpa.”

Alta no consumo das usinas

Pela primeira vez na história, as usinas convencionais de etanol norte-americanas estão consumindo mais milho do que a produção pecuária, que utiliza o cereal como ração, informou o jornal britânico Financial Times em 12 de julho. O aumento da demanda pelos grãos reflete em parte o impacto da política de subsídios aos produtores de etanol convencional.

O Banco Mundial divulgou um estudo mostrando que os preços globais de alimentos, em março de 2011, estavam 36% acima dos preços do mesmo mês do ano anterior, com destaque para a alta de 74% do milho.

Anúncios
Esse post foi publicado em Biomassa, Energia Limpa, Investimento, Políticas Públicas e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s