O que fazer com o lixo atômico?

Segundo informações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), um típico reator de 1.000 MWe produz anualmente cerca de 30 t de rejeitos de alta radioatividade, além de300 m3de rejeitos de baixo e médio teor radioativo. Ao todo, a indústria de energia nuclear gera anualmente 10 mil m3 de material de alta radioatividade e 200 mil m3 de baixa e média radioatividade.

Todo esse material vem sendo armazenado temporariamente, quase sempre nas próprias usinas, mergulhado em tanques de resfriamento ou em contêineres especiais de metal ou concreto. Nesses parques esperam há anos transferência para um lugar definitivo. Enquanto isso não ocorre, há o trabalho de mantê-los seguros, enclausurados, para não oferecerem risco até serem removidos para um ambiente eternamente isolado ou pelo tempo suficiente – que pode chegar a milhões de anos – para perderem suas características nocivas.

O fato é que toneladas e mais toneladas desse lixo vêm sendo acumuladas desde a primeira planta civil de energia nuclear no mundo, a APS-1, de 5 MWe, que em 1954 começou a alimentar a rede da cidade russa de Obninsk. Hoje, 442 reatores, somando cerca de 375 GWe, alimentam 30 países. Outras 65 unidades estão sendo construídas, diz a European Nuclear Society (ENS), autora dos dados mais recentes. Se não houver reversão da tendência de expansão da demanda energética e Fukushima não causar maiores efeitos, é esperado que novas usinas surjam nas próximas décadas. E com elas, mais lixo radioativo.

Dos 27 países da UE, 14 têm plantas nucleares operando – são 143 reatores ao todo. Preocupada com o acúmulo de substâncias radioativas, a Comissão Europeia propôs, em novembro do ano passado, que seus membros apresentem programas para lidar com elas, incluindo detalhes de como, onde e quando vão construir os repositórios finais.

Várias possibilidades têm sido investigadas, mas, segundo a AIEA, até agora a mais eficiente e segura forma de lidar com esse lixo é colocá-lo em cavernas a centenas de metros de profundidade, em formações geológicas estáveis, cujas características incluam impermeabilidade e proteção contra vazamento dos radionuclídeos – os elementos radiativos. Algumas áreas no planeta entram nessa categoria, mas um estudo da década de 90 da empresa Pangea Resources indicou que as mais favoráveis estão na Argentina, África do Sul, China e Austrália.

Cientistas estão confiantes de que esse tipo de ambiente servirá como cofre eterno para o crescente volume de rejeitos, de forma que qualquer eventual vazamento de radioatividade dos recipientes venha a ser contido pela estrutura geológica. Acreditam que essa teoria é substanciada por eventos que aconteceram nas profundidades rochosas de Oklo, no Gabão, cerca de 1,8 bilhão de anos atrás. Vários depósitos de urânio nessa região da África produziram fissão nuclear ao serem inundados com água, mas, a despeito de o processo continuar intermitentemente por milhares de anos, não causou nenhum impacto ao meio ambiente externo.

A ideia de usar repositórios subterrâneos enfrenta muitas críticas – para parte dos cientistas, isso apenas esconde o perigo. A técnica, porém, vem sendo desenvolvida como a mais viável. Alguns países começaram estudos nessa área; outros já estão adiantados no estágio de escavamento e infraestrutura depois de investirem muitos anos e vastos recursos financeiros em trabalhos de planejamento, estudos de viabilidade e consulta pública.

Na Finlândia, onde as termonucleares provêm quase 30% da demanda, o depósito permanente tornou-se crucial. Em uma de suas ilhas, Olkiluoto, no sul do país, está em construção um complexo de túneis e câmaras de armazenamento com capacidade para 9 mil t de material. As cargas, previstas para chegarem a partir de 2020, vão ficar em uma profundidade de400 m, vindas dos quatro reatores que já operam no país, de um que entrará em funcionamento em 2013 e, possivelmente, de um outro, aindaem planejamento. Omaterial será acondicionado em tubos de ferro fundido, cujo revestimento de cobre deverá protegê-los da corrosão.

Será, assim, o primeiro repositório geológico profundo no mundo para acomodação perpétua de material de alta radioatividade de usinas nucleares. Quando alcançar sua total capacidade, prevista para ocorrer em 100 anos, ele será lacrado em definitivo. Estima-se que o custo de gerenciar esse lixo nuclear venha a ser da ordem de € 3 bilhões.

Em sua campanha para expandir a energia nuclear, vencendo uma antiga resistência da população ainda marcada pela lembrança do acidente de Chernobyl e, agora, também do de Fukushima, a UE sabe que o consentimento para novos projetos está ligado a uma solução satisfatória para o lixo radiativo. Por isso o trabalho de relações públicas é cada vez mais intenso e amplo, e os argumentos, mais atrativos.

Além de campanhas de exaltação às vantagens da energia atômica, há casos em que incentivos financeiros integram os benefícios oferecidos às comunidades. Podem ser na forma de concessão grátis de eletricidade, criação de empregos em áreas economicamente drenadas ou outros itens de interesse da população.

Informação de: Ilumina

Anúncios
Esse post foi publicado em Energia Nuclear, Políticas Públicas e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s