Primeira usina comercial no país com tecnologia fotovoltaica

Tecnologia fotovoltaica

A energia solar no Brasil encontra-se em um estágio de desenvolvimento que vai além dos redutos acadêmicos. A tecnologia fotovoltaica ganhou este mês sua primeira usina comercial no país, a MPX Tauá (1 MW) no Ceará, e tem mais 12 projetos com mais de 1 MW anunciados no país.

Segundo Roberto Zilles, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP e coordenador do Programa para o Desenvolvimento de Aplicações da Energia Solar Fotovoltaica, o bom momento atual é resultado de um trabalho de convencimento feito nos últimos anos por universidades e centros de pesquisa sobre o potencial e a viabilidade do setor. Entre eles está o Grupo de Trabalho de Geração Distribuída com Sistemas Fotovoltaicos, do MME. De lá surgiu a proposta dos “120 telhados solares”, parceria entre governo, universidade e distribuidoras para analisar o comportamento dos sistemas fotovoltaicos na rede brasileira e facilitar a regulamentação e a inserção da tecnologia no país.

Porém, a energia solar em sua geração ainda é bem mais cara que as concorrentes. No Brasil, o custo fotovoltaico gira entre R$ 400 e R$ 500/MWh, mais que o triplo da tarifa média dos empreendimentos eólicos contratados no último leilão de energia, no ano passado, de R$ 130,86/MWh. No entanto, se visto o preço para o consumidor,sua competitividade aumenta consideravelmente.

É o que aponta um levantamento feito pelo professor Ricardo Rüther, do Laboratório de Energia Solar da UFSC, que mostra que o custo da energia fotovoltaica já é equivalente ao cobrado de consumidores residenciais em 30 das 63 áreas de concessão de distribuição. Segundo o estudo, os clientes dessas áreas pagam na conta de luz valores superiores a R$ 0,50/kWh, equivalentes ao da geração por painéis voltaicos. No caso de Belo Horizonte (MG), por exemplo, onde a incidência solar e a tarifa (R$ 0,58/kWh) são altas, a energia fotovoltaica já seria economicamente viável, pois garantiria uma taxa interna de retorno (TIR) de 9% ao longo dos 25 anos de vida útil mínima esperada para o equipamento.

“Dependendo da expectativa de retorno, a paridade tarifária já chegou, como em Belo Horizonte”, frisa Rüther. “Mas é questão de tempo para a energia solar se tornar mais barata do que as tarifas cobradas em todas as regiões do Brasil. Pelo princípio da modicidade tarifária, que guia o planejamento energético do governo, o uso dessa fonte, por ser mais barata, deverá ser estimulada”, completa.

Integrantes do incipiente segmento de energia solar no Brasil, que ganharam um grupo próprio na Abinee, pedem incentivos governamentais para formar uma indústria nacional antes que o mercado cresça baseado na importação de tecnologias e equipamentos. Não há, por enquanto, nenhum sinal de que o governo dará subsídios ou promoverá leilões específicos para a fonte. Mas pode ser que isso não seja necessário.

O estudo da BNEF revela que os mercados latino-americanos podem ser os primeiros a se desenvolver sem subsídio. O trabalho avaliou Brasil, Chile, México e Peru. “Nesses mercados, a energia solar poderá se tornar viável sem incentivos governamentais”, confirma Maria Gabriela da Rocha, autora do estudo e chefe de pesquisa e análise para a América Latina da consultoria.

Informação de: Ilumina

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