Os riscos do pré-sal

Depois das descobertas da camada pré-sal, o Brasil caminha para se tornar um dos principais polos de exploração marítima de petróleo e gás, disputando a liderança com os Estados Unidos. De acordo com os resultados obtidos por meio de perfurações de poços, as rochas do pré-sal se estendem por 800 quilômetros do litoral brasileiro, de Santa Catarina até o Espírito Santo, e chegam a atingir 200 quilômetros de largura. Caso a expectativa seja confirmada, o Brasil ficaria entre os seis países que possuem as maiores reservas de petróleo do mundo, atrás de Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes.Com a descoberta, surgem, também, grandes questões a serem consideradas. Uma delas está justamente na tecnologia que será necessária para a extração. Apesar de o Brasil, hoje em dia, ser um dos mais avançados do mundo na exploração de petróleo, o País ainda não dispõe de recursos necessários para retirar o óleo de camadas tão profundas e terá de alugar ou comprar de outros países. O campo de Tupi, por exemplo, se encontra a 300 quilômetros do litoral, a uma profundidade de 7.000 metros e sob 2.000 metros de sal. É de lá e dos blocos contíguos que o governo espera que irão jorrar 10 bilhões de barris de petróleo.

Existe, principalmente, uma preocupação em relação às consequências de um possível acidente em águas tão profundas, principalmente após o desastre ambiental que ocorreu em abril do ano passado, no Golfo do México. O mercado passou a exigir que, cada vez mais, as petrolíferas invistam em equipamentos sofisticados para evitar novos acidentes, e há também a preocupação das empresas quanto aos sistemas de segurança, planos emergenciais, planos de contingência, treinamentos e a preocupação com meio ambiente.

Apesar deste cenário inicial, observamos excelente histórico de segurança no setor de óleo de gás no Brasil. Em geral, as medidas de prevenção para o pré-sal são as mesmas adotadas em outros tipos de exploração com perfuração, só que neste caso as águas são mais profundas, com alta pressão e temperaturas mais elevadas, o que eleva os riscos exploratórios. Isto significa custos mais altos e cuidados extras para desenhar e estruturar poços e desenvolver os planos de perfuração. Para que seja possível evitar um incidente semelhante ao do poço Macondo, da BP, é preciso que as empresas reforcem os equipamentos de segurança e invistam em tecnologia e mão de obra qualificada, o que encarece o processo de extração.

Após o incidente no Golfo do México houve uma reação imediata dos mercados. Estima-se que os seguros para plataformas que operam em águas rasas aumentaram 25%; para as que operam em águas profundas, em torno de 50%. Para os riscos de Controle de Poço e Responsabilidade Civil (vazamento e poluição), os aumentos nas taxas têm sido entre 15% a 30%. Houve também impacto na capacidade de limites disponibilizada pelos mercados. Além disso, muitas empresas têm mostrado maior preocupação e atenção com riscos desta natureza e estão buscando aumento dos limites das suas apólices de seguros.

Particularidades. Por si só, a exploração de petróleo é uma atividade repleta de riscos. Requer tarefas perigosas, como perfurar rochas em regiões ultraprofundas, enfrentar pressões altíssimas e manipular volumes gigantescos de gás. Com o pré-sal, é importante considerar que como o material que é encontrado durante a perfuração ainda é desconhecido, as características do petróleo podem ser diferentes de poço para poço, variando conforme diversos fatores. As características deste petróleo podem variar e muito, uma vez que as condições nas quais foi sintetizado, em áreas mais profundas do solo do fundo do mar, lhe atribuíram particularidades bem específicas, que não sabemos até onde se estendem. O petróleo do pré-sal terá uma qualidade maior do que a do pós-sal. O motivo é que a camada do sal preserva e protege o petróleo e não permite que ele fique exposto à chuva e ações de bactérias. Além disso, a impermeabilidade do sal faz com que o óleo não se disperse e facilita a extração.

Os equipamentos de exploração de petróleo usados até o momento são dimensionados para características conhecidas. Mas o material pode ser mais ácido, com densidade mista ou até abrasiva, altamente volátil, com uma grande quantidade de gases acumulados. Pode, ainda, estar disposto sob altíssima pressão, que as máquinas e mangueiras podem não suportar. A prevenção, assim, é a melhor forma de obter sucesso neste novo e potencial ramo. Além de todos os fatores mencionados acima, há que se considerar fatores externos de tempo, que muitas vezes influenciam mais do que os fatores técnicos.

Para reduzir o impacto ambiental de acidentes, todos os tipos de precaução, regras de segurança, gerenciamento de riscos, prevenção de perdas e estudos pré-perfuração precisam ser adotados.

Os produtos oferecidos pelo mercado segurador/ressegurador servem para garantir a segurança operacional e financeira das companhias, independentemente de seu tamanho. Mesmo em empresas de grande porte, o impacto operacional e financeiro de catástrofes na perfuração de poços pode ser desastroso, por isso, o mercado segurador terá pela frente novos desafios e oportunidades com a exploração do pré-sal. O desenho adequado de um programa de seguros garante a qualquer empresa a proteção necessária aos riscos que esta atividade apresenta. Fazem parte de uma boa prática de governança corporativa a gestão do risco e a aquisição de ferramentas, como o seguro, que protegem o patrimônio e o fluxo de caixa das empresas.

Paulo Niemeyer – O Estado de S.Paulo

GERENTE DE OIL&GAS DA AON CONSULTING

Fonte: O Estado do São Paulo

Anúncios

Sobre Lincoln Herbert

Professor de Tecnologia da Informação.
Esse post foi publicado em Petróleo & Gás, Políticas Públicas e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s