Investimento para atender demanda

A Braskem deu na semana passada um importante passo para se firmar entre as grandes fornecedoras de empresas que vão explorar petróleo na camada do pré-sal. A companhia assina com o governo baiano um convênio de estímulo à inovação tecnológica que inclui a instalação, em Camaçari, de uma unidade piloto para a fabricação de um produto inédito no País, resultado de quatro anos de pesquisa da petroquímica: uma fibra de altíssima resistência, batizada de fibra Utec.

Com a unidade piloto, a Braskem terá capacidade de produzir material suficiente para ser testado pela Petrobras e outras empresas interessadas no pré-sal. A ideia da petroquímica é, no futuro, construir uma fábrica de fibra Utec no País. Além do pré-sal, o material tem potencial para ser usado também pelas forças armadas e pela polícia para quem o produto seria utilizado em proteções balísticas de coletes e veículos blindados.

A tecnologia da fibra Utec foi obtida após quatro anos de pesquisas para o desenvolvimento de um produto ultra resistente e de altíssima performance. Já a matéria-prima usada na elaboração da fibra Utec foi resultado de 15 anos de pesquisas, destaca o diretor de Inovação e Tecnologia da Braskem, Luís Cassinelli.

O desenvolvimento da fibra representa mais uma etapa dos avanços tecnológicos que cercam a exploração do pré-sal na costa brasileira. De acordo com Cassinelli, o produto desenvolvido a partir do polietileno de ultra-alto peso molecular (chamado de Utec) será utilizado na produção de cordas usadas na ancoragem de plataformas. “Decidimos fazer o processo para a fabricação de um fio que é trançado e então utilizado como corda”, afirma o diretor.

Por ser um produto de alta resistência e confiabilidade, a fibra Utec deverá ser usada principalmente em plataformas para o pré-sal, área de ultra profundidade que exigirá tecnologias específicas para sua exploração. “O pré-sal trouxe necessidades diferentes que nos obrigam a customizar esse produto”, destaca o gerente de Projetos Especiais da Braskem, Claudio Villas Boas, para quem tecnologias pioneiras como essa serão importantes para aumentar a viabilidade da produção de petróleo no Brasil.

Além da atividade de exploração do pré-sal, a tecnologia deverá ser incorporada ao segmento de proteção balística. Atualmente todas as soluções de blindagem e colete existentes no País são importadas dos Estados Unidos e da Europa, onde o produto é feito especificamente para as condições locais. “O Brasil, por exemplo, tem um clima mais quente do que essas regiões, por isso o material precisa ser mais leve”, diz Villas Boas. “Buscamos desenvolver o produto especificamente para as necessidades brasileiras”, explica.

Sérgio Gabrielli defende investimento em refinarias

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli admitiu semana passada que os investimentos em novas refinarias possuem uma margem de retorno menor do que se fossem feitos na área de exploração e produção (E&P), porém destacou que se não realizados poderiam provocar um prejuízo futuro maior “Faço aqui uma defesa clara e explícita da construção de novas refinarias no Brasil. O investimento no refino pode ter margem menor de retorno do que em E&P, mas teríamos um custo muito maior no futuro, quando estivéssemos exportando nossa produção excedente de petróleo para China, para Índia, e tendo que importar de lá os produtos processados, como o querosene de aviação”.

Segundo Gabrielli, só considerando custos logísticos significa adicionar um extra de US$ 8 a US$ 10 por barril no processo de importação de derivados versus a exportação de óleo cru. “Fazer refinarias não é apenas uma decisão para abastecer o mercado brasileiro”, afirmou.

Em apresentação durante o encerramento do evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef) para discutir o futuro do petróleo e do pré-sal no Brasil, Gabrielli destacou que o melhor retorno é o “de uma empresa integrada ao refino”. “A relação integrada entre produção e refino aumenta a média de retorno da indústria no mundo”, disse, completando que a Petrobras possui condição única, pois vende 90% de sua produção no mercado interno. “Não investir em refino significa abrir seu mercado para outros”.

Petrobras nega impacto na cadeia de fornecedores

A decisão anunciada pelo Banco Central (BC) e Conselho Monetário Nacional (CMN) de aplicar medidas de contenção de crédito não deverá prejudicar os planos de investimentos de empresas fornecedoras da indústria de óleo e gás. Essa é a análise do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. “Acredito que essas medidas sejam parte de uma política de inibição ao consumo de longo prazo, e não um instrumento de desincentivo ao investimento”, afirmou Gabrielli, para quem ainda há uma clara política federal de estímulo ao desenvolvimento.

Segundo o executivo, a indústria nacional tem superado as exigências da companhia em relação à capacidade de fornecimento ao setor. Essa situação, entretanto, pode ser alterada caso haja uma aceleração das etapas de licitação de novas áreas de exploração, principalmente no pré-sal. “Na medida em que acelerarmos o ritmo de investimentos, certos estrangulamentos vão começar a aparecer”, destacou. Conforme lei aprovada no Congresso, a Petrobras é operadora única das áreas do pré-sal que venham a ser licitadas e deverá deter um uma participação mínima de 30% em cada projeto de exploração.

A aceleração das licitações por parte da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) tornaria mais difícil a tarefa dos fornecedores, principalmente de pequeno e médio porte, em acompanhar as necessidades das empresas responsáveis pela exploração de petróleo e gás em território nacional.

Fonte: Tribuna do Norte

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Sobre Lincoln Herbert

Professor de Tecnologia da Informação.
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