As cidades inteligentes entraram em definitivo na agenda do setor elétrico brasileiro

Projetos pilotos são necessários para testar as diversas tecnologias disponíveis e também verificar a resposta do consumidor.

Pelo menos seis grandes projetos de smart grid estão sendo implantados em cidades das regiões Sul, Sudeste e Norte. Os projetos vão exigir de saída investimentos da ordem de R$ 136 milhões, montante formado em boa parte por recursos de P&D liberados pela Aneel às concessionárias responsáveis pelos programas: Light, EDP Bandeirante, Cemig, Copel, Ampla e Eletrobras.

A ideia é experimentar simultaneamente várias tecnologias envolvendo automação, gestão de redes, iluminação pública, mobilidade elétrica e geração distribuída. Será dada, porém, atenção especial à telemedição em baixa tensão. A expectativa é que esta seja capaz de abrir uma nova fronteira no relacionamento com os clientes, além, é claro, de contribuir de forma efetiva para a redução das perdas comerciais.

Os resultados consolidados serão conhecidos em prazos que variam de dois a três anos. Esse longo processo de avaliação é que vai apontar em que medida valerá ou não a pena estender em larga escala o conceito de cidades inteligentes. De certo, sabe-se apenas que as iniciativas, uma vez ampliadas, precisarão trazer vantagens tanto para os clientes como para as distribuidoras – e sem prejudicar a modicidade tarifária.

Esse é, aliás, o ponto crítico que está regulando na prática a velocidade de avanço dessa tendência. Se dependesse da disposição e do entusiasmo de fornecedores estrangeiros, hoje tremendamente empenhados na venda de equipamentos e serviços, o mercado já estaria tomado por tecnologia importada.

Entretanto, o MME vem postergando uma política para o segmento porque não há uma solução satisfatória para viabilizar os investimentos necessários. Por seu lado, a Aneel também precisa definir o padrão dos medidores inteligentes. A agência vai indicar funcionalidades básicas e prazos de implantação, de modo a permitir que a indústria nacional se prepare para atender à demanda física. Hoje o parque instalado gira em torno de 65 milhões de aparelhos, número que deve dobrar até 2030.

Há também um vácuo na área de software de gestão que precisa ser resolvido, bem como em relação aos custos para uso das bandas de radiofrequência, ponto chave na telemedição. A inevitável convergência com o universo das tecnologias de informação e da telecomunicação vai originar, diga-se de passagem, outro marco importante no setor elétrico.

“Vamos fazer tudo da forma mais organizada possível, para que não seja necessário refazer no futuro”, diz Roberto Barbieri, assessor para área de Geração, Transmissão e Distribuição da Abinee.

Segundo ele, a lentidão da implantação do smart grid no Brasil é apenas aparente. O que há é o cuidado de não repetir equívocos de projetos pioneiros do exterior. Vários deles foram desenvolvidos a fim de solucionar questões pontuais. Por isso Barbieri prevê dores de cabeça mais adiante, em razão, por exemplo, da falta de interoperabilidade entre as tecnologias adotadas nos EUA.  

Informação de: Brasil Energia

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